RACK (BDSM)

“Risk-Aware Consensual Kink” – Torção Consensual Consciente do Risco
RACK é um acrônimo para:
•    “Risk-Aware Consensual Kink” – Kink Consensual Consciente do Risco, ou;
•    “Risk-Accepted Consensual Kink” – Kink Consensual que Aceita o Risco.

É um acrônimo usado por alguns praticantes, e grupos, da comunidade BDSM para descrever uma visão mais tolerante à comportamentos sexuais de risco, desde que os participantes estejam cientes desses riscos e de comum acordo. Essa versão dos princípios que regem as práticas BDSM difere do SSC (São, Seguro e Consensual) no aspecto da segurança, pois admite o risco, embora seja consensual e consciente (são).

Os princípios do RACK podem ser descritos decompondo a sigla:
•    Consciência de risco: Ambos ou todos os parceiros estão, bem informados sobre os riscos envolvidos na atividade proposta;
•    Consensual: À luz desses riscos, ambos ou todos os parceiros, ofereceram consentimento preliminar para se envolver na referida atividade;
•    Kink: São as atividades sexuais que fogem dos padrões convencionais.

Enquanto o SSC busca descrever o BDSM, diferenciando-o – de forma didática – do Abuso, para que o público leigo possa compreender –, o RACK não se ocupa disso. Porque, pressupõe que pessoas em busca de experiências extremas estão conscientes do que procuram e tomarão todos os cuidados necessários para evitar danos irreversíveis, ou fatalidades.

Assim como em esportes radicais, onde os praticantes se capacitam para evitar acidentes graves, a filosofia do RACK tende a incluir atividades que outros podem considerar como Edgeplay (jogo no limite). Não há "seguro" ou "não seguro" no RACK, apenas "mais seguro" e "menos seguro". Por isso, aqueles que seguem os princípios RACK estão totalmente conscientes dos riscos envolvidos e aceitam esses riscos.


O RACK também pode ser descrito como uma mentalidade que presta mais atenção às consequências inesperadas do jogo BDSM.  Sua teoria gira em torno de um compromisso baseado em prognóstico e em suposição fundamentada, incluindo as possíveis consequências de um jogo mais arriscado.

Por outro lado, o SSC gira em torno dos resultados finais do jogo. Ele tenta minimizar qualquer dano potencial, apesar dos riscos que os jogadores de BDSM podem estar dispostos a participar.

Ambas as filosofias visam minimizar danos previsíveis, contudo o RACK coloca mais ênfase no compromisso individual com possíveis riscos, de antemão, enquanto o SSC tenta minimizar o dano total previsível a longo prazo.

Assim, os adeptos do RACK enfatizam a importância do consentimento prévio individual, até mesmo para a diversão arriscada, embora uma parte do SSC conteste que as pessoas geralmente não escolhem tão livremente quanto parece, às vezes podem se comportar irracionalmente e, portanto, as consequências da escolha individual precipitada talvez devam ser mitigadas desde o início.

ativistas gays masculinos de S/M
O RACK foi criado em reação à insatisfação dentro da comunidade BDSM com a organização do SSC. De acordo com David Stein – homem que cunhou o termo "Safe, Sane, and Consensual S/M" para os ativistas gays masculinos de S/M de Nova York, o SSC pretendia ser apresentado apenas como um padrão mínimo para jogos S/M eticamente defensáveis. Para estabelecer uma distinção entre brincadeira; entre parceiros amorosos de S/M; e a percepção pública do sadomasoquismo que seria descrita, especificamente, como comportamento abusivo. Com o tempo, quando a frase começou a se espalhar por toda a comunidade e apareceu em adesivos e camisetas, as pessoas começaram a associar "seguro" com o "livre de risco", diluindo a mensagem. "Em vez de pedir às pessoas que pensem no que significa fazer S/M eticamente e fazer as escolhas difíceis que às vezes são necessárias (mesmo que apenas entre o que é certo e o que está certo agora). Hoje, muitas organizações agem como se essas questões tivessem sido resolvidas, assegurando que o comportamento sádico ou masoquista, não considerado SSC não seja S/M, mas outra coisa - abuso, geralmente, violência doméstica ou baixa autoestima ".

Em 1999, Gary Switch postou na lista USENET da The Eulenspiegel Society "Amigos da TES" propondo o termo RACK com o desejo de formar um retrato mais preciso do tipo de jogo em que muitos se envolvem. Observando que nada é realmente 100% seguro, nem mesmo atravessando a rua, o Switch comparou o BDSM ao esporte de alpinismo. Em ambos, o risco é uma parte essencial da emoção, e esse risco é minimizado por meio de estudo, treinamento, técnica e prática.

Nem todos os membros da comunidade BDSM aderem a um princípio em detrimento do outro. Algumas pessoas são adeptas dos dois lemas, usando o SSC como uma descrição das atividades para o público em geral (BDSM, Baunilhas e leigos), enquanto usam o RACK como uma descrição das atividades entre os membros da comunidade BDSM.

Há ainda o termo PRICK, que  enfatiza, em particular, o conceito de assumir responsabilidade pessoal por suas ações, bem como uma análise informada dos riscos. Em alguns círculos da "velha guarda", circula o termo "Consensual Compassivo Comprometido".

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