SSC (São, Seguro e Consensual)

 
É atribuída ao co-fundador da GMSMA (Gay Male SM Activist), David Stein, a criação do termo “safe, sane, and consensual s/m” em 1983. Desde então, a sigla SSC, que significa “São, Seguro e Consensual”, vem sendo utilizada como referência por praticantes de BDSM em todo o mundo, pois estabelece os princípios básicos que distinguem o BDSM de práticas abusivas – abominadas por toda a comunidade BDSMer.

Consensual
Toda relação genuinamente BDSM é imprescindível que exista anuência entre as partes, ou seja, o consentimento expresso das pessoas que estão envolvidas na dinâmica BDSM. Todas as pessoas envolvidas devem estar cientes do que irá acontecer e devem respeitar os limites determinados por cada um dos envolvidos durante todo o tempo, seja na sessão ou fora dela.
  • A diferença entre BDSM e violência está na consensualidade.
  • A diferença entre uma relação sexual e estupro está na consensualidade.
  • A diferença entre um ato prazeroso e um ato criminoso está na consensualidade.
Porém, quando nos referimos a questão da consensualidade, existem dois mandamentos que devem ser observados. Vejamos quais são:
  1. Todas as pessoas envolvidas devem ser maiores de 18 anos, o que lhe atribui capacidade legal para oferecer concessão. Ou seja, menores de 18 anos estão juridicamente impedidas de oferecer consentimento para as práticas de BDSM.
  2. Todas as pessoas envolvidas devem estar no total domínio de suas faculdades mentais. Ou seja, a pessoa não pode estar clinicamente incapacitada ou temporariamente inconsciente – no caso do uso de álcool, psicotrópicos, e outras drogas.
Além disso, para que possamos ter a certeza de que o consentimento está presente durante todo o tempo em que a relação BDSM ocorre, faz-se necessário determinar indicadores de controle pré-definidos, como por exemplo, gestos específicos ou palavras de segurança (Safe Word), que podem indicar a diminuição da intensidade de uma determinada prática, ou até, a imediata interrupção.

Seguro
Segurança não significa optar por práticas que não envolvam nenhum tipo de risco, mas em reduzir estes riscos tomando as devidas precauções. Assim como em qualquer outra atividade de risco, como montanhismo, motociclismo, mergulho em profundidade, paraquedismo, caçada, lutas, etc.
O top (quem executa a ação) é o responsável por checar se todos os aspectos de segurança foram atendidos.
  • Ele deve assegurar de que está capacitado para realizar tal prática;
  • Possuir todo o material exigido para a prática, incluindo os itens de segurança correspondentes;
  • Verificar com o bottom (quem recebe a ação) se existe algum impedimento para a prática, por exemplo, alergia, asma, epilepsia, pressão, cardíaco, diabetes, remédio controlado, etc.;
  • Ter conhecimento de primeiros socorros, caso seja necessário;
  • Saber quais são os números de emergência, de médico, familiares ou amigos, em caso de acidentes;
  • Obviamente, tomar cuidado com as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis);
Última dica de segurança para o bottom e, principalmente, para o top. Certifique-se de possuir alguma prova material de que a prática BDSM foi consensual. Pois, não são raros os casos de falsa denúncia de crime, depois que a relação terminou.

São
Não sendo um profissional da área de saúde mental, pode ser muito complicado determinar se uma pessoa tem ou não algum problema que necessite de acompanhamento médico. Mas, segundo a edição mais recente do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição (DSM-5), para que um distúrbio parafílico seja diagnosticável, o interesse deve ser recorrente e intenso, presente por pelo menos seis meses e causar acentuado sofrimento ou prejuízo em áreas importantes da vida. Portanto, podemos sugerir essa orientação para todos os aspectos do comportamento observável de outra pessoa. Se o comportamento for recorrente e intenso, e causar acentuado sofrimento ou prejuízo em áreas importantes da vida, talvez você deva se afastar dessa pessoa ou sugerir uma consulta a um especialista.

Tenha muito cuidado com pessoas que você não tem referências. Pessoas problemáticas costumam evitar apresentar parentes ou amigos antigos. Ou seja, pessoas que a conhecem bem e podem dar informações sobre ela. Procure o máximo de informações antes de se envolver em práticas Kink & BDSM com outra pessoa, ou, ao menos tente apresentar essa pessoa para seus amigos, para que ela seja reconhecida por eles, se houver algum problema depois.

O SSC, por si só, não garante a total ausência de efeitos colaterais. Mas, se essas diretrizes forem observadas, certamente reduzirá significativamente a possibilidade de estar exposto a perigo.

Veja também: RACK

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