Sadismo & Masoquimo

 
Em 1843, o médico ruteno Heinrich Kaan publicou Psychopathia sexualis ("Psicopatia do Sexo"), uma escrita na qual ele converte as concepções do pecado do cristianismo em diagnósticos médicos. Com o seu trabalho, os termos originalmente teológicos "perversão", "aberração" e "desvio" tornaram-se parte da terminologia científica pela primeira vez. O psiquiatra alemão Richard von Krafft Ebing apresentou os termos "sadismo" e "masoquismo" à comunidade médica em seu trabalho Neue Forschungen auf dem Gebiet der Psychopathia sexualis ("Nova pesquisa na área de Psicopatia do Sexo") Em 1890. Em 1905, Sigmund Freud descreveu o "sadismo" e o "masoquismo" em seus Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade como doenças que se desenvolvem a partir de um desenvolvimento incorreto da psique infantil e lançaram as bases para a perspectiva científica sobre o assunto nas décadas seguintes. Isto levou à primeira utilização do termo composto sado-masoquismo (do alemão, sado-masochismus) pelo psicanalista vienense Isidor Isaak Sadger em seu trabalho, Über den sado-masochistischen Komplex (“Em relação ao complexo sadomasoquista") em 1913.

Ted Bundy (1946/1989) foi um assassino em série americano, sequestrador, estuprador, ladrão e necrófilo que assaltou e assassinou numerosas jovens mulheres e meninas durante a década de 1970 e, possivelmente, mais cedo. Pouco antes de sua execução - depois de mais de uma década de recusas - ele confessou 30 homicídios cometidos em sete estados entre 1974 e 1978. A verdadeira contagem de vítimas permanece desconhecida e pode ser muito maior.

No final do século 20, ativistas do BDSM protestaram contra esses modelos conceituais, pois foram derivados das filosofias de duas figuras históricas singulares. Tanto Freud quanto Krafft-Ebing eram psiquiatras; suas observações sobre sadismo e masoquismo eram dependentes de pacientes psiquiátricos, e seus modelos foram construídos com base na suposição de psicopatologia. Ativistas do BDSM argumentam que é ilógico atribuir fenômenos comportamentais humanos tão complexos quanto sadismo e masoquismo somente com referência em pacientes psiquiátricos que apresentaram comportamentos extremos. Seria o mesmo que dizer que todos que bebem são alcoólatras com base num estudo que analisou apenas alcoólatras. Por isso, os defensores do BDSM têm procurado distinguir eles próprios, a partir de noções amplamente difundidas da antiquada teoria psiquiátrica sobre sadismo e masoquismo, pela adoção do termo abreviado "S&M" como uma distinção, agora comum desses termos psicológicos,  ou usando o termo "sadomasoquismo", que pressupõe o encontro de duas partes complementares no jogo BDSM.





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